terça-feira, 25 de julho de 2017

ERDOGANISTÃO



Começou ontem o julgamento de 19 jornalistas do “Cumhuriyet”, o mais antigo diário turco, acusados de apoio a organizações terroristas – o “Le Monde” e o “Libération” dedicaram a sua manchete, e até um número especial no segundo caso, a mais um atentado de Erdoğan à liberdade. Incrível, revoltante mesmo, a escalada que se vive aqui tão perto de onde me encontro e cujos efeitos também se fazem sentir quotidianamente nos países vizinhos. A Europa, essa Europa desgovernada que é a nossa, teve e tem enormes responsabilidades em tudo isto...

(Kostas Grigoriadis, http://www.efsyn.gr)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

EM ÉVORA, NO FORUM EMPRESARIAL DO ALENTEJO




(Amanhã partilharei a canícula alentejana com uma intervenção no Forum Empresarial do Alentejo em Évora, a convite do Núcleo Empresarial da Região, oportunidade para discutir temas de competitividade e de atração de pessoas e de investimento…)

O painel é o primeiro logo depois da sessão de abertura e está centrado no tema Região do Alentejo, um território competitivo e atrativo: medidas para reforçar a competitividade e a atratividade de pessoas e de investimento. Cabe-me a intervenção de enquadramento deste painel, onde intervirão a EMBRAER, a UGT, a CIM do Alentejo Central, o Instituto Politécnico de Portalegre e o Hospital Espírito Santo de Évora.

Será uma oportunidade para me regozijar com a abordagem que está implícita no painel em que intervenho, articulando temas que regra geral são discutidos separadamente e, por isso, dando origem a intervenções e medidas de política ineficazes, que derretem recursos sem qualquer efeito prático que se veja.

As duas articulações que presidem ao painel são: a abordagem conjunta dos temas da competitividade e da atratividade, indissociáveis segundo a minha interpretação numa região como o Alentejo; a integração dos processos de atração de pessoas e de investimento. Ambas as articulações necessárias decorrem das fragilidades do sistema produtivo alentejano, apesar dos exemplos de inovação a que o FORUM dará o devido destaque, e do cenário demográfico que se coloca à Região.

Discutirei o assunto com abordagens que me são caras e que tenho a vindo a desenvolver ao longo.

A questão da competitividade (empresarial e territorial) é discutida em dois planos: o da organização interna e do espaço da empresa em que existe uma função relativamente bem conhecida dos fatores que condicionam a produtividade e a competitividade; o do entorno da empresa, em que a densidade industrial com que se partilha ambiente empresarial, a consistência do sistema regional de inovação em que a empresa se insere e a qualidade/diversidade dos serviços que podem ser oferecidos à empresa contam e de que maneira.

A questão da integração de atração de pessoas e de investimento explora as pistas de recente investigação de professores da Universidade de Aveiro, com o amigo Eduardo Anselmo Castro na equipa, que pioneiramente começaram a discutir e conceber previsões demográficas fazendo inserir na análise a dimensão económica, da produtividade e do crescimento económico. A importância do saldo migratório como fator de dinamicidade é explorada, pressupondo que a Região definirá as suas prioridades de atração de pessoas, pelo menos de jovens ativos qualificados, em função da sua estratégia de atração de investimento nacional e internacional. Não podemos ignorar que a Região pode optar por priorizar a atração de adultos reformados ou pré-reformados de rendimento médio-alto, que pode produzir efeitos favoráveis em termos de mercado interno e até de dinâmicas da sociedade civil. Mas, nesse caso, a atração de pessoas não contribuirá para o reequilíbrio demográfico, pois não tenderá a influenciar as condições de fertilidade futuras.

VIVE BEM!




Prossigo a recuperação de alguns temas perdidos. Desta vez, e como ciclicamente acontece, porque os temas escolhidos pelos dois parceiros que animam este blogue se voltaram a cruzar na cabeça de ambos, sendo que o meu companheiro se antecipou e fez as honras da casa a propósito do dissidente e prémio Nobel chinês Liu Xiaobo, recentemente falecido em condições indignas e vergonhosas para o contraditório regime instalado na República Popular da China.

Porém, e como já tinha algum material preparado para uma nota similar à dele, decidi manter a intenção de aqui o publicar, embora sem repetir explicitamente o conteúdo da mensagem, que só posso limitar-me a subscrever por inteiro. Também gostei da ideia da “The Economist” de lhe chamar a “consciência da China”, mas merecem-me igual destaque o texto (“A Life Lived in Truth”) do ficcionista Ma Jian na “Project Syndicate” e a homenagem adotada pelo “Le Monde” (excerto acima) – entre um escrito de Liu Xiaobo de 2006, em que ele foca a necessidade de salvar a história da China e de restabelecer a sua memória, e um sublinhado às tocantes palavras de despedida que o mesmo dirigiu à mulher (“Vive bem”).

A coerência tem custos raramente amortizáveis à luz dos mercantis critérios dominantes, mas não é por isso que deixa de ser bonita e, sobretudo, altamente reconfortante para quem plenamente a assuma e saiba praticar com a vertebrada naturalidade do ser.

(Nicolas Vadot, http://www.levif.be)

(Idígoras y Pachi, http://www.elmundo.es)

domingo, 23 de julho de 2017

À ATENÇÃO DO SOCIALISMO EUROPEU


Aproveitei o médio curso da minha viagem de avião para arrumar alguma tralha acumulada e em espera. De entre a muita documentação e informação que me foi passando pelos olhos, quero hoje aqui aproveitar a magnífica rede wifi georgiana para referenciar a evidência que Davide Vittori nos trouxe (gráfico acima) sobre o brutal declínio eleitoral que os partidos social-democratas europeus vêm sofrendo desde Maastricht (o gráfico mais abaixo completa bem esta perspetiva ao ir um pouco atrás no tempo de recolha de dados), com especial incidência no mais recente período de crise e respetiva sequência até ao presente.

Por toda a parte a tendência é clara, com a Europa do Norte e Central a situarem-se atualmente numa modesta média de 20% (1 votante em cada 5) e a Europa do Sul a cair muito drasticamente no pós-crise (mais de 15% de quebra depois da média de 36,3% que apresentavam na primeira década deste século, então muito sob o efeito das expectativas então criadas pela introdução do Euro) – sublinhe-se que o caso do socialismo em Portugal só é, no vertente quadro, um parcial contraexemplo, muito em especial quando comparado com a hecatombe que sucedeu aos socialistas gregos ou com a crescente irrelevância do PSOE!

Refira-se ainda que o refluxo populista que ultimamente parece estar a verificar-se, o que não pode deixar de ser lido como uma evolução de sentido positivo, não alterará significativamente o estado desesperado de coisas a que se chegou – no imediato, não é esperado que as eleições alemãs e austríacas do Outono contribuam para uma qualquer esperança de reversão; e também não se veem sinais promissores no horizonte imediatamente subsequente. Sobretudo, não se encontram responsáveis com o devido foco num assunto que vale bem uma missa e que justificaria bastante mais por parte das inertes e acomodadas lideranças europeias do PSE...