segunda-feira, 24 de abril de 2017

LES JEUX SONT FAITS?


Escolho a front page de um jornal grego para assinalar o resultado possível da primeira volta das presidenciais francesas e evidenciar, sem qualquer intervenção desviante de um alfabeto familiar, as duas caras em torno das quais se fará a escolha decisiva de 7 de maio. As expressões dificilmente podiam ser mais esclarecedoras...



domingo, 23 de abril de 2017

MÁRIO SOARES NO PORTO


Bonita e condigna, a homenagem do PS-Porto a Mário Soares esta tarde no Rivoli. Foi uma sessão que se distinguiu pela diferença na forma e no conteúdo. Eis que finalmente uma estrutura político-partidária com responsabilidades marcantes logra arriscar fazer de outro modo, com menos berraria e menos folclore, com mais cultura e mais simbologia. Manuel Pizarro está de parabéns, Mário Soares teria certamente apreciado.

Quanto ao resto, foi a filha Isabel quem disse quase tudo. Por um lado, quanto ele detestava o pretensiosismo, a pequenez e a covardia; por outro lado, quanto vida era a palavra que melhor o dizia. Compreendo bem que ela assim o afirme, eu que até terei sido um dos portugueses que com Soares mais interagiu neste século. Não obstante, e para a maioria dos seus contemporâneos, Soares será sempre, e sobretudo, um sinónimo da Liberdade que tanto lhe devemos.

O DECLÍNIO NÃO DISCRETO DOS SOCIALISTAS FRANCESES




(Com a ameaça da Frente Nacional relativamente contida e aparentemente sem o impulso de uma vitória na primeira volta para o assalto final, as presidenciais francesas colocam o PS francês em progressão para a irrelevância, o que mostra como é funda a perturbação da esquerda social-democrata e não radical…)

Quando escrevo, Emmanuel Macron parece ter vencido a primeira volta das presidenciais francesas com dois pontos percentuais por cima de Marine Le Pen. Os apoios dos seus adversários (Fillon, Mélenchon, este último ainda não declarado e Bénoit Hamon) para travar uma possível vitória de Le Pen na segunda volta formam um grande rassemblement de circunstância e sem dúvida que se estivesse em França votaria Macron na segunda volta, resolvendo para já um problema, embora com a convicção que a questão mais geral está longe de estar resolvida.

O esmagamento previsível do PS francês evolui para algo perto da catástrofe. Hamon, entrincheirado à direita por um Emmanuel Macron que capitalizou bem a sua saída atempada do governo de Hollande e Manuel Vals e por Fillon que apesar de todo o nepotismo fixa cerca de 18-19% do eleitorado da direita francesa (mas que direita!) e à esquerda por um Mélenchon de radicalismo mais ou menos inconsequente, é bem a imagem da derrocada do pensamento socialista em França. Tudo isto apesar de no programa de Hamon terem surgido algumas propostas que valia a pena ter discutido, pelo menos as da fiscalidade, onde houve o dedo de Piketty e da sua equipa.

Mas a desconexão dos socialistas franceses com a indignação e problemas de grande parte da sociedade francesa é desde há muito desoladora e exigirá um longo tempo para ser reatada. A discussão dos malefícios da globalização não regulada foi sendo adiada entre os socialistas franceses com nefastas consequências para as ultrapassagens que sofreu à direita e à esquerda e ausência do PS francês na discussão dos malefícios de uma União Europeia governada por diretórios revelou também a sua incapacidade.

Teremos assim um grande rassemblement de pendor centrista e liberal para conter a ameaça Le Pen. Interrogo-me se todos os franceses à esquerda, sobretudo os mais radicais e que se reviram na última energia de Mélenchon, estarão dispostos a esse ato de defesa para suster uma eventual chegada da Frente Nacional ao poder.

A Europa e os mercados terão respirado de alívio com a projeção de tudo isto para a segunda volta. Mas, primeiro, a segunda volta não serão favas contadas. Depois, poderá haver algum momento de distensão, mas para a esquerda está aqui um grande novelo para deslindar. Até porque Emmanuel Macron não tem propriamente um partido a suportá-lo. Irá formar um governo de pendor ainda mais presidencial para navegar à vista? Cá para mim, apesar de se respirar um pouco melhor, a procissão ainda vai no adro e vários desvios vão ainda colocar-se.

UMA EQUAÇÃO A QUATRO INCÓGNITAS


Apenas o acrescento testemunhal de alguns jornais do dia, quem sabe se para memória futura. Façamos figas, já que nada mais nos resta fazer...

AUJOURD’HUI


Joga-se hoje mais uma cartada decisivamente definidora do próximo futuro da Europa e, de algum modo, do mundo em que vivemos. Que nos irão desvendar mais logo, aí pelas nossas 19 horas, quanto à síntese tradutora das escolhas presidenciais dos franceses?

(Klaus Stuttman, http://www.tagesspiegel.de)