quinta-feira, 9 de maio de 2013

DIA DA EUROPA


O “Dia da Europa” que hoje se celebra referencia-se à chamada “Declaração Schuman”, proferida neste dia de 1950 pelo então ministro francês dos Negócios Estrangeiros e propondo a instituição de um mercado comum do carvão e do aço entre os 6 países fundadores por via da criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Robert Schuman referia, designadamente: “A Europa não se fará de uma só vez, nem de acordo com um plano único. Far-se-á através de realizações concretas que criarão, antes de mais, uma solidariedade de facto.”

Sessenta e três anos depois, a União Europeia atravessa a sua maior crise de sempre e pode estar à beira de implodir. Com o modesto contributo do nosso compatriota e presidente da Comissão que – qual barata tonta! – se esvai em inofensivas, desgovernadas e submissas declarações – só por estes dias, já admitiu a necessidade de se proceder a alterações ao Tratado de Lisboa, já definiu como principal prioridade europeia a constituição de uma União Bancária, já confessou que “a austeridade atingiu um limite” e já manifestou que “a Europa será aberta e democrática, ou então falhará”… - enquanto o amigo Ohli se encarrega de ir fazendo o “trabalho sujo” e operacionalizando a entrega das encomendas.

Vejamos um caso concreto e revelador desta Europa em que estamos mergulhados: na semana passada, a Comissão Europeia decidiu suavizar as exigências de austeridade para França, Espanha e Holanda, concedendo a este país mais um ano, e aos dois primeiros mais dois, além do prazo previsto para reduzirem o seu défice orçamental para menos de 3% do PIB. Ora, e como é sabido, a Comissão apenas concedeu a Portugal um ano adicional e não tem deixado de insistir no sentido de o Governo compensar a totalidade das medidas rejeitadas pelo TC por outras de impacto orçamental equivalente…

Num comentário escorreito, a competente e bem informada correspondente do “Público” em Bruxelas, Isabel Arriaga e Cunha, logo sublinhou que “Bruxelas arrisca no entanto ser acusada neste processo de utilizar dois pesos e duas medidas ao mostrar muito maior flexibilidade com os grandes países do euro do que com os mais pequenos, sobretudo os que estão sob programa de ajuda externa como Portugal e a Grécia”. Explicando ainda que, segundo admitiu uma fonte europeia, “a ‘racionalidade’ desta diferença de tratamento é meramente ‘política’, o que, traduzido por miúdos, significa que o poder reivindicativo de Paris, Madrid e Haia é superior ao de Lisboa e Atenas.”

Uns a mandar, outros a executar, alguns a reivindicar, outros mais a obedecer. Onde já vai quem falou em solidariedade!

(Eduardo Estrada, http://elpais.com)

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